Há mais de 40 anos, investigadores norte-americanos arriscaram uma experiência insólita no Mount St. Helens. Em vez de recorrerem a tecnologia avançada ou a grandes máquinas, apostaram em esquilos-fossadores. Agora, um novo estudo mostra que este teste pouco convencional continua a produzir efeitos até hoje - e terá acelerado de forma impressionante a recuperação da paisagem vulcânica.
Mount St. Helens: um vulcão, esquilos-fossadores e uma recuperação surpreendente
Em maio de 1980, a erupção do Mount St. Helens, no noroeste dos Estados Unidos, transformou uma região montanhosa verde num campo de destroços cinzento. Morreram 57 pessoas, as florestas foram praticamente varridas do mapa e o solo ficou coberto por cinzas quentes e pedra-pomes.
Para plantas e animais, restaram condições que pareciam hostis à vida: os nutrientes tinham sido queimados, a estrutura do solo foi destruída e os microrganismos ficaram quase totalmente eliminados. Os especialistas acreditavam que a natureza só recuperaria muito lentamente - mais em décadas do que em anos.
Um grupo de investigadores quis acelerar esse processo. Em vez de voltar a plantar as áreas de forma direta, procurou uma forma de reativar os aliados invisíveis do solo - bactérias, fungos e outros microrganismos.
A ideia improvável: esquilos-fossadores como "engenheiros do solo"
Em 1983, três anos após a erupção, surgiu a proposta radical: os esquilos-fossadores deveriam ajudar a transformar rocha morta em solo vivo. Estes animais escavam túneis, remexem a terra e deslocam material das camadas profundas para a superfície.
Os investigadores esperavam que os roedores trouxessem à superfície bactérias e fungos sobreviventes, escondidos no subsolo - e, assim, criassem uma nova base para as plantas.
Um microbiologista da Universidade da Califórnia resumiu a ideia na altura da seguinte forma: para muita gente, os esquilos-fossadores são pragas, mas é precisamente a sua escavação que pode expor novamente o solo antigo - e é aí que a recuperação começa.
Assim, os cientistas recolheram alguns animais, levaram-nos para duas áreas selecionadas de pedra-pomes na encosta do vulcão e deixaram-nos, durante um dia, fazer o que fazem naturalmente: escavar, remexer e formar montes de terra.
De doze plantas frágeis a 40.000 sobreviventes verdes
Antes da experiência, as zonas de escória mostravam apenas meia dúzia de plantas, pouco mais de uma dúzia. A camada de cinzas era dura, seca e pobre em nutrientes, e a chuva mal conseguia infiltrar-se no solo.
Seis anos depois da intervenção dos esquilos-fossadores, o cenário era completamente diferente:
- As duas áreas tratadas estavam densamente cobertas de vegetação.
- Cresciam ali cerca de 40.000 plantas, de várias espécies.
- As zonas vizinhas, onde não tinham sido introduzidos esquilos-fossadores, continuavam em grande parte nuas e cinzentas.
Os animais trabalharam apenas durante um dia. O efeito de longo prazo não veio dos dentes, mas sim daquilo que eles expuseram e misturaram no solo.
Ajudas invisíveis: os fungos constroem uma nova comunidade viva
Um novo estudo, publicado na revista científica "Frontiers", voltou a analisar essas áreas agora - mais de quatro décadas depois. Os investigadores queriam perceber se o efeito tinha sido apenas um brilho passageiro ou se se mantinha de forma duradoura.
O resultado surpreendeu até os especialistas: ainda hoje, nas antigas áreas dos esquilos-fossadores, existe uma comunidade de microrganismos e fungos muito mais ativa do que nas zonas intactas. No centro deste processo estão os chamados fungos micorrízicos.
Os fungos micorrízicos vivem numa parceria estreita com as raízes das plantas. Fornecem água e nutrientes e, em troca, recebem açúcar produzido pela fotossíntese.
Estes fungos aumentam a superfície efetiva das raízes ao formar uma rede finíssima de filamentos no solo. Dessa forma, conseguem alcançar nutrientes a que as raízes sozinhas quase não chegam - como fósforo ou oligoelementos presentes em camadas profundas ou compactadas.
Nas antigas zonas trabalhadas pelos esquilos-fossadores, desenvolveram-se assim microecossistemas vivos e complexos. As folhas e agulhas das plantas mortas forneceram nova matéria orgânica; os fungos decompuseram esse material e armazenaram nutrientes. A geração seguinte de plantas beneficiou diretamente com isso.
Como os fungos fazem regressar as árvores mais depressa
Uma das autoras do estudo descreve o efeito nas árvores do Mount St. Helens da seguinte forma: as árvores jovens formaram uma ligação estreita com os seus próprios fungos micorrízicos. Esses fungos captavam os nutrientes das agulhas caídas e transferiam-nos de forma eficiente para as raízes.
O resultado foi que, em alguns pontos, as árvores regressaram "quase de imediato", pelo menos muito mais depressa do que o previsto. As florestas não morreram completamente, como muitos especialistas receavam após a erupção; antes reconstruíram-se a partir do interior.
O estudo sublinha que os microrganismos e os fungos do solo são amplamente subestimados. Sem eles, até espécies vegetais resistentes têm dificuldade em estabelecer-se; com eles, até áreas aparentemente mortas voltam a desenvolver um ecossistema estável.
O que esta experiência no Mount St. Helens revela sobre a natureza e a intervenção humana
Uma micóloga norte-americana resume a principal lição de forma clara: quem quer compreender os ecossistemas não pode ignorar a interação entre os seus componentes - especialmente os agentes invisíveis que vivem no solo.
A experiência com os esquilos-fossadores oferece várias conclusões interessantes:
| Aspeto | Lição do Mount St. Helens |
|---|---|
| Papel dos animais | Pequenos "perturbadores", como roedores escavadores, podem ser motores centrais da recuperação. |
| Importância dos fungos | Os fungos micorrízicos aumentam a absorção de nutrientes e aceleram o crescimento das plantas. |
| Intervenções ecológicas | Medidas pequenas e direcionadas podem ter efeitos de longo prazo que duram décadas. |
| Gestão humana | Por vezes, basta estimular os processos naturais em vez de tentar controlá-los todos. |
O que isto pode significar para outras áreas de catástrofe
As conclusões do Mount St. Helens interessam não só aos vulcanólogos. Em todo o mundo, as autoridades procuram formas de restaurar mais depressa paisagens destruídas: após incêndios florestais, mineração, cheias ou até em regiões secas que estão a alargar-se.
Os esquilos-fossadores, naturalmente, não são uma solução universal. Mas a ideia de base pode ser transposta: em vez de se plantar apenas árvores ou relva, pode valer a pena investir de forma direcionada na vida do solo, com:
- plantas que favoreçam particularmente os fungos micorrízicos
- aplicação direcionada de esporos de fungos ou microrganismos do solo
- pequenas áreas protegidas onde animais escavadores possam agir livremente
Para projetos de renaturalização, isto significa que a atenção não deve centrar-se apenas na vegetação visível, mas também nas redes subterrâneas que tornam essa vegetação realmente estável.
Micorrizas, esquilos-fossadores e companhia: breve explicação de termos
Para perceber melhor o que se esconde por trás desta história vulcânica, vale a pena esclarecer alguns conceitos:
- Micorriza: simbiose entre fungos e raízes das plantas. Os fungos aumentam a absorção de nutrientes e água, e as plantas fornecem açúcar.
- Esquilos-fossadores: pequenos mamíferos que constroem tocas subterrâneas. Os seus túneis soltam o solo e misturam diferentes camadas.
- Microrganismos: termo genérico para bactérias, fungos e outros organismos minúsculos. Reciclam nutrientes e regulam muitos processos do solo.
Muitos agricultores já aproveitam efeitos semelhantes há bastante tempo: na agricultura, têm sido usados cada vez mais preparados com fungos micorrízicos ou bactérias específicas do solo para reduzir a necessidade de fertilizantes e tornar as plantas mais resistentes.
Quais os riscos e limites deste tipo de intervenção
Apesar do sucesso registado no Mount St. Helens, continuam a existir riscos. Quem introduz deliberadamente animais ou microrganismos em novas áreas também pode causar danos. Espécies introduzidas podem afastar espécies autóctones, espalhar doenças ou empurrar o ecossistema numa direção indesejada.
Os esquilos-fossadores do vulcão eram originários da região e estavam adaptados ao clima local. Noutros projetos, seria necessário avaliar com extremo cuidado que espécie se adequa a cada lugar - e de que forma a sua atividade pode ser controlada.
O mesmo se aplica aos fungos: nem todas as espécies micorrízicas se compatibilizam com todas as plantas. Espécies mal escolhidas podem perturbar o equilíbrio ou simplesmente não produzir qualquer efeito. Por isso, a renaturalização continua a ser um trabalho de precisão, não um truque fácil de laboratório.
Porque é que animais discretos se tornam, de repente, "heróis"
A história dos esquilos-fossadores do vulcão mostra sobretudo uma coisa: muitas espécies que as pessoas gostam de classificar como incómodas desempenham papéis decisivos nos seus habitats. Toupeiras soltam o solo, javalis remexem as camadas de folhas, térmitas arejam solos secos nas savanas.
No caso do Mount St. Helens, os esquilos-fossadores ajudaram a reiniciar um sistema destruído - e prepararam o cenário para fungos, bactérias e plantas. Sem grandes obras, sem tecnologia pesada, apenas através do seu comportamento natural.
Para futuras crises ambientais, a mensagem é surpreendentemente simples: às vezes compensa não apostar apenas em escavadoras, sementes e fertilizantes, mas também em pequenos aliados subestimados, com patas fortes e uma vontade incessante de escavar.
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