Quando os dias ficam mais longos e suaves, os chapins procuram com urgência locais seguros e uma mesa bem abastecida - e é aí que o seu jardim entra em ação.
Quem gosta do chilreio alegre no próprio jardim pode, já na primavera, fazer muito para que os chapins-real e os chapins-azuis se estabeleçam de forma permanente. Para isso, um bonito ninho artificial por si só não chega. O que realmente conta é o quão “amigo das aves” é o terreno no seu conjunto: desde arbustos densos e plantas autóctones até pequenos refúgios nas paredes e no casario.
Porque é que os chapins precisam, agora, de um bom jardim
Com a chegada da primavera, começa para os chapins a fase mais exigente do ano. Têm de encontrar um local adequado para nidificar, ocupar um território seguro e arranjar alimento suficiente para si próprios e, mais tarde, para as crias. As descidas bruscas de temperatura e um abril frequentemente seco tornam esta tarefa ainda mais difícil em muitas regiões.
Nesta altura, um jardim natural torna-se um verdadeiro salva-vidas: oferece proteção contra gatos, pegas-rabudas e aves de rapina, permite deslocações curtas entre alimento e ninho e dá abrigo quando chove, venta ou faz calor. Quem percebe isto não está apenas a planear um espaço exterior bonito - está a criar habitat.
Quem quer atrair chapins precisa de pensar em quatro coisas: um local seguro para dormir, alimento, cobertura e percursos curtos.
Ninhos, alimento e abrigo: o que os chapins realmente precisam
Ninhos artificiais: úteis, mas muitas vezes mal colocados
Muitos amadores de jardinagem compram na primavera um novo ninho artificial no centro de jardinagem. A ideia é boa, mas o efeito muitas vezes fica aquém do esperado. Com frequência, estes ninhos ficam demasiado baixos, demasiado expostos ao sol, presos a ramos instáveis ou mesmo por cima de zonas de grande circulação, como terraços muito usados.
Para que um ninho artificial seja atrativo para os chapins, vale a pena ter atenção a alguns pontos:
- Altura: o ideal é cerca de 2–3 metros acima do solo.
- Orientação: a abertura deve ficar, de preferência, virada a nascente ou sudeste, e não ao sol forte do meio-dia.
- Tranquilidade: manter distância de zonas de estar, áreas de brincar e caminhos muito frequentados.
- Proteção: não deve haver, mesmo ao lado, uma ajuda de escalada facilmente acessível para gatos.
- Tamanho da abertura de entrada: para chapins-real e chapins-azuis, cerca de 28–32 mm.
Igualmente importante: deixe, sempre que possível, refúgios naturais como fendas em muros, postes de madeira antigos, rachas sob telhas e cavidades em árvores. Muitas espécies de chapins preferem muito mais estas estruturas do que caixas artificiais.
Preservar locais naturais de nidificação em vez de alisar tudo
As casas modernas e os jardins bem tratados são, muitas vezes, demasiado “arrumados”. Fachadas lisas, superfícies impermeabilizadas e ausência de árvores ocas tornam a vida difícil às aves cavadoras de cavidades. Por isso, sempre que puder, preserve:
- macieiras e pereiras antigas com cavidades, desde que não exista risco de queda;
- pequenas fendas no barracão ou na parede da garagem onde as aves possam criar;
- partes de muros antigos ou de paredes de pedra natural sem reboco.
Cada pequena fenda, cada cepo antigo pode ser um local de criação valioso para os chapins.
Sem insetos não há crias: como transformar o seu jardim numa fonte de alimento
Embora os chapins sejam conhecidos como aves granívoras, para alimentar as crias precisam sobretudo de refeições diárias de insetos, aranhas e larvas. Um jardim com plantas ornamentais estéreis e muito cascalho quase não oferece nada disso.
Plantas autóctones em vez de formas de cultivo estéreis
Muitas plantas ornamentais vendidas em centros de jardinagem são selecionadas para florirem durante muito tempo e terem bom aspeto - mas já quase não produzem pólen nem sementes. Para as aves, têm pouco ou nenhum valor. Muito melhores são as espécies autóctones, às quais os insetos locais já se adaptaram.
Particularmente úteis são, por exemplo:
| Grupo de plantas | Exemplos | Vantagem para os chapins |
|---|---|---|
| Vivazes floridas | salva-dos-prados, milefólio, margaridas | Atraem insetos, cujas larvas servem de alimento |
| Arbustos autóctones | roseira-brava, abrunheiro-bravo, pilriteiro | Fornecem insetos, depois bagas e abrigo |
| Sebes espontâneas | aveleira, sabugueiro, alfeneiro | Habitat durante todo o ano para muitos pequenos animais |
Sempre que possível, evite flores muito dobradas: apesar de parecerem exuberantes, oferecem pouco pólen e são inacessíveis para muitos insetos.
Sem químicos e com menos pressão sobre o relvado
Quem pulveriza em todo o lado afasta pulgões, lagartas e escaravelhos - precisamente a comida favorita de muitos chapins jovens. Algumas folhas roídas em roseiras ou árvores de fruto são normais e até desejáveis num jardim amigo das aves. Mostram que há alimento em quantidade suficiente.
Outro obstáculo é o relvado decorativo perfeito. Áreas de relva curta e monótona geram pouca vida. Resultam melhor:
- um pequeno prado florido com trevo e ervas aromáticas;
- zonas periféricas que são cortadas com menos frequência;
- um “canto selvagem” com urtigas, folhas secas e caules mortos.
Estruturas densas: porque é que as sebes valem ouro para os chapins
Muitas espécies de aves, incluindo os chapins, não apreciam espaços abertos. Querem poder refugiar-se depressa em coberto. É aqui que as sebes, os arbustos densos e as plantações em várias camadas mostram o seu valor.
A mistura certa na sebe
Uma boa sebe é composta por várias espécies autóctones, com épocas diferentes de floração e frutificação. Assim, oferece alimento durante muitos meses e abrigo em todas as estações. Espécies adequadas incluem, por exemplo:
- sorveira
- sabugueiro-negro
- carpino
- alfeneiro
- abrunheiro-bravo
Os arbustos com bagas não fornecem apenas calorias, mas também água, porque muitos frutos têm elevada percentagem de líquido. Isso ajuda as aves quando as poças e os pequenos pontos de água secam.
Sempre-verdes e arbustos densos como abrigo
Espécies sempre-verdes ou arbustos com folhagem cerrada oferecem refúgio durante todo o ano. Se, por exemplo, incluir algumas árvores ou arbustos sempre-verdes, como o teixo ou o azevinho, cria locais seguros onde os chapins também se podem esconder no inverno e durante períodos de chuva intensa.
Um arbusto denso perto do comedouro pode, em caso extremo, fazer toda a diferença entre a vida e a morte.
O que deve ter em conta ao alimentar as aves na primavera
Muitas pessoas deixam de alimentar as aves assim que as temperaturas sobem. No entanto, os especialistas recomendam cada vez mais que se continue a disponibilizar alimento de sementes enquanto não houver uma vaga de calor. Os chapins aceitam de bom grado essa ajuda extra, sobretudo quando precisam de muita energia para a construção do ninho.
Há alguns aspetos a ter sempre em mente:
- manter os comedouros limpos e retirar regularmente os dejetos;
- não os colocar diretamente por cima de zonas de estar ou de brincar;
- escolher, de preferência, locais protegidos, para que os gatos não consigam aproximar-se facilmente;
- reduzir a quantidade no auge do verão e reforçar os cuidados de higiene para evitar doenças.
Mais dicas para um jardim amigo dos chapins
Quem quiser ir ainda mais longe pode acrescentar pequenas estruturas que, à primeira vista, parecem discretas, mas ajudam imenso:
- Pontos de água: uma taça baixa ou um pequeno charco, reabastecido todos os dias, serve para beber e tomar banho.
- Montes de madeira morta: lenha e ramos empilhados atraem insetos e tornam-se uma fonte de alimento.
- Montes de folhas: não remova todas as folhas; deixe-as num canto, onde vivem escaravelhos, aranhas e outros pequenos animais.
Se tiver dúvidas sobre quais as plantas adequadas ou sobre como preservar com segurança antigos recantos da casa, pode contactar grupos locais de conservação da natureza. Muitos fazem avaliações de jardins, distribuem listas de espécies recomendadas ou ajudam a escolher os ninhos artificiais certos.
Há ainda outro ponto que muitas vezes é subestimado: a poluição luminosa. Jardins iluminados durante toda a noite e refletores intensos perturbam os insetos noturnos e, com isso, a cadeia alimentar. Em regra, sensores de movimento com tempo de iluminação curto chegam perfeitamente.
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