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A caixa-ninho de chapins e o diâmetro do orifício de entrada

Pássaro pousado na entrada de uma casinha de madeira para pássaros numa árvore, ao ar livre.

A caixa é bonita, bem visível, perfeitamente presa à árvore - e, ainda assim, continua vazia ano após ano. Muitas vezes, a razão não está na localização, no aspeto, nem na cor, mas num pormenor discreto: o diâmetro do orifício de entrada. Bastam alguns milímetros para decidir se os chapins se instalam, se os pardais tomam conta do espaço ou se a caixa fica simplesmente por usar.

O orifício de entrada é como uma fechadura para os chapins

Para os chapins, a caixa-ninho é, no fundo, uma cavidade de árvore por um período limitado. A abertura funciona como uma fechadura precisamente ajustada. Se a “chave” - ou seja, o corpo da espécie em causa - não encaixa, a caixa é ignorada.

O diâmetro certo do orifício de entrada é o que determina se os chapins aceitam a caixa como espaço para viver.

Um buraco demasiado grande convida concorrência e predadores. Um buraco demasiado pequeno bloqueia o acesso por completo. Muitas caixas-ninho vendidas no comércio parecem decorativas, mas, do ponto de vista ornitológico, são apenas maus projetos - com aberturas por onde os pardais entram à força ou por onde os chapins nem conseguem passar.

Há anos que os ornitólogos sublinham o mesmo: o diâmetro da abertura pesa mais do que o formato do telhado, a decoração, a cor ou o desenho. Quem quer favorecer os chapins de forma direcionada precisa de conhecer estas medidas e escolhê-las de propósito.

Caixa-ninho de chapins: 28 ou 32 milímetros, qual serve para que espécie?

Nem todos os chapins têm o mesmo tamanho. Por isso, o diâmetro ideal também varia:

  • 28 mm – para espécies pequenas como o chapim-azul, o chapim-preto e o chapim-do-salgueiro
  • 32 mm – para espécies maiores como o chapim-real

Na prática, para jardins domésticos típicos, costuma resultar isto:

28 mm: a medida confortável para chapins pequenos

Um orifício de entrada de 28 milímetros é considerado a solução clássica para espécies de chapins mais pequenas. As aves passam com facilidade e, ao mesmo tempo, muitos concorrentes potenciais ficam de fora. Quem queira um jardim acolhedor para crianças e com visitas frequentes de chapins quase nunca erra ao escolher 28 mm.

Esta medida evita, em muitos casos, que os pardais se instalem. Embora tenham aspeto semelhante, costumam ser um pouco mais corpulentos e falham mais vezes perante uma abertura mais estreita.

32 mm: assim a caixa fica confortável para o chapim-real

Os chapins-reais têm um corpo mais compacto e robusto. Para eles, recomenda-se uma abertura de 32 milímetros. Assim entram sem dificuldade, sem se apertarem, e podem usar a caixa como local seguro para nidificar.

Quem quiser atrair especificamente o chapim-real deve, portanto, optar por 32 mm e manter essa medida o mais exata possível. Se o buraco for significativamente maior, cresce a probabilidade de os pardais tomarem conta da habitação.

Abaixo da medida ideal, a ave não passa; acima dela, abrem-se as portas a outras espécies e a predadores.

Como corrigir um orifício de entrada perfurado com o tamanho errado

A boa notícia é que uma caixa-ninho com o diâmetro errado não tem de ir para o lixo. Com poucos gestos, pode ser ajustada.

  • Se o buraco for demasiado grande? - Aparafusar uma placa de metal ou de madeira com um orifício de 28 ou 32 mm já feito.
  • Se o buraco for demasiado pequeno? - Alargá-lo de forma limpa até à medida desejada com uma broca Forstner adequada.
  • Alisar as arestas - Remover lascas de madeira para que as aves não se magoem nem danifiquem a plumagem.

Estas placas metálicas encontram-se muitas vezes em lojas de jardinagem. E ainda têm outra vantagem: reforçam a borda, tornando mais difícil para pica-paus ou esquilos aumentarem o orifício.

Proteção contra pardais e predadores: porque é que os milímetros contam

O diâmetro não determina apenas que espécie de chapim entra. Também funciona como um fator de segurança para a ninhada mais tarde.

A partir de cerca de 35 milímetros, os pardais-domésticos têm boas hipóteses de ocupar a caixa. São agressivos em relação aos chapins e podem expulsá-los do local de nidificação. O risco aumenta ainda mais quando a abertura se aproxima dos 40 milímetros: nesse caso, os pica-paus conseguem enfiar o bico, e martas ou gatos podem tentar alcançar as crias com as patas.

Uns poucos milímetros a mais no orifício de entrada podem, no fim, decidir a sobrevivência de toda a ninhada.

Quem quer proteger a caixa da melhor forma deve olhar não só para a medida, mas também para a posição da abertura. Ela deve ficar no terço superior da face frontal. Quanto mais alta, mais difícil fica para os predadores chegarem ao interior.

Material, aspeto e cheiro: o que realmente incomoda os chapins

As cavidades naturais são rugosas, escuras e têm cheiro a madeira e terra. Muitas caixas de jardim parecem pequenas casinhas decorativas - agradáveis para pessoas, mas estranhas para aves.

O que interessa é isto:

  • Madeira não tratada, com pelo menos 15 mm de espessura, para boa proteção contra o calor e o frio
  • Sem verniz e sem tinta sintética colorida, porque o odor dos solventes afasta as aves
  • Sem um “pau de pouso” decorativo por baixo do orifício, já que serve de apoio aos predadores

Um pequeno truque prático: se esfregar o interior com um pouco de terra húmida e depois deixar secar, a caixa ganha um aspeto de “já usada”. Para muitas aves, isso transmite muito mais confiança do que madeira nova e clara.

Pendurar a caixa-ninho: momento, altura e orientação também fazem a diferença

Mesmo uma caixa perfeitamente dimensionada pode ficar vazia se o momento ou o local não forem os adequados. Os chapins começam cedo a procurar cavidades apropriadas. Muitos casais já andam em visitas de reconhecimento no fim do inverno.

Daí resulta o seguinte:

  • Montagem no outono ou no início do inverno, no máximo até ao fim de fevereiro
  • Altura entre 2 e 4 metros numa árvore, parede de casa ou poste
  • Entrada virada para nordeste ou leste, para evitar ventos fortes e sol do meio-dia
  • Pelo menos 10 metros de distância entre duas caixas para chapins, porque as aves são muito territoriais

A caixa deve ficar bem firme, mas sem ferir a árvore. Muitas pessoas usam arame passado por um pedaço de mangueira de jardim antiga. Assim, nada corta a casca. Os comedouros colocados mesmo ao lado também não são boa ideia: demasiado movimento à porta de casa causa stress visível às aves em reprodução.

Cuidados depois da criação: deixar a “casa arrendada” pronta para a época seguinte

Quando as crias já saíram do ninho, vale a pena espreitar o interior. Os ninhos antigos podem ficar muito sujos e conter parasitas. Quem abrir a caixa no fim do verão ou no outono e retirar o material cria espaço para a época de reprodução seguinte.

Para isso, chega uma limpeza simples com luvas e uma escova. Produtos químicos de limpeza ou fragrâncias estão fora de questão. Alteram o cheiro natural e tornam a caixa menos atrativa para as aves.

Quando compensa ter vários tipos de caixas no jardim

Jardins um pouco maiores beneficiam de uma solução mista: algumas caixas pequenas com orifício de 28 mm para chapins-azuis e companhia, e outras com 32 mm para chapins-reais. Desta forma, as espécies distribuem-se melhor e entram menos em conflito.

Quem pendurar também caixas semiabertas atrai outras espécies, como o rouxinol-comum ou a alvéola. Essas, no entanto, devem ficar claramente afastadas das caixas para chapins, para que as diferentes aves não se incomodem mutuamente.

Porque é que uma caixa vazia muitas vezes falha apenas por causa de um número

Muitos proprietários de jardins duvidam de si próprios quando a caixa-ninho continua vazia: será o local errado, ruído a mais, árvores a menos? Em muitos casos, o problema está simplesmente na broca - ou, mais exatamente, no tamanho escolhido.

Quem corrigir o diâmetro para 28 ou 32 milímetros, criar uma superfície interior rugosa e natural e pendurar a caixa a tempo aumenta de forma clara as hipóteses de ter inquilinos com penas. E, de repente, na primavera, vêem-se chapins-azuis ou chapins-reais à entrada, a alimentar as crias - e uma simples caixa de madeira transforma-se no lugar mais vivo de todo o jardim.

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