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Ideia genial para o inverno: com este jogo simples, as galinhas ficam cheias de energia.

Galinhas castanhas a brincar e alimentar-se na neve perto de um galinheiro iluminado pelo sol.

Quando lá fora reina a geada e o chão está duro como betão, o recinto das galinhas transforma-se depressa numa zona de aborrecimento - com consequências para a saúde e o estado de espírito das aves.

Muitos criadores amadores conhecem bem isto: mal o jardim fica despido e congelado, as galinhas passam a ficar mais tempo paradas, a comer e à espera da primavera. É precisamente nessa fase que surgem problemas como excesso de peso, stress e bicagem de penas. Ainda assim, com um jogo surpreendentemente simples, o cinzento quotidiano do inverno pode transformar-se num período de atividade e ocupação - sem dar mais ração e sem equipamento profissional caro.

Porque é que as galinhas no inverno de repente ficam «estranhas»

No verão, uma galinha ocupa-se quase o dia inteiro sozinha: esgravatar, bicar, caçar insetos, arrancar rebentos tenros. No auge do inverno, quase tudo isso desaparece. O solo está congelado ou enlameado, há poucos vermes e não existem plantas verdes frescas. A procura natural de alimento reduz-se drasticamente.

É então que acontece o seguinte: as aves mexem-se menos, gastam pouca energia e, muitas vezes, parecem ficar «congeladas» no espaço de passeio. Esse simples ato de estarem paradas tem vários efeitos secundários.

“Quando falta a procura diária de alimento, o stress, o peso e a propensão para conflitos no galinheiro aumentam de forma clara.”

Daí resultam problemas típicos do inverno:

  • Excesso de peso, porque as galinhas comem quase a mesma quantidade, mas mexem-se muito menos.
  • Bicagem de penas por tédio, frustração e disputas de hierarquia.
  • Lentidão, que enfraquece o sistema imunitário e pode favorecer doenças.
  • Agitação no bando, porque os animais ficam mais próximos uns dos outros e irritam-se com mais facilidade.

Quem cria galinhas deve, por isso, pensar não só na comida, mas também na ocupação - sobretudo nas semanas mais frias.

Como uma bola de brincar volta a despertar o instinto de procura de alimento

A ideia central vem da prática dos parques zoológicos: o chamado «enriquecimento ambiental». O nome soa complicado, mas no recinto das galinhas é surpreendentemente simples. No fundo, trata-se de não despejar a comida de forma aborrecida numa taça, mas sim de transformar a alimentação em trabalho e jogo.

A solução de inverno provavelmente mais eficaz é uma bola resistente com furos, que vai libertando porções de alimento aos poucos. Cheia com grãos ou pedaços de legumes, torna-se num brinquedo alimentar que as galinhas têm de manusear sozinhas.

“Em vez de estarem junto ao comedouro, as galinhas perseguem uma fonte de alimento em movimento - e é precisamente isso que põe o cérebro e o corpo delas a funcionar.”

O funcionamento é extremamente simples:

  • Uma bola de plástico resistente (comprada ou feita em casa) recebe vários furos.
  • Enche-a com petiscos de tamanho adequado.
  • No recinto, as galinhas fazem rolar a bola com o bico.
  • A cada movimento, saem pequenas porções.

Em poucos minutos, a maioria dos animais percebe o princípio. Quem já viu uma galinha a «driblar» uma esfera pelo recinto percebe logo: aqui há um verdadeiro jogo - não apenas alimentação.

Como construir a bola de alimentação em poucos minutos

Não é preciso ir a uma loja especializada. Muita coisa pode ser improvisada com restos domésticos, desde que seja segura e fácil de limpar.

Materiais adequados e segurança

  • Bola de plástico robusta (por exemplo, uma bola de brincar espessa para cães ou uma bola infantil de plástico duro).
  • Furos limpos, sem arestas cortantes - se for necessário, lixar para remover rebarbas.
  • Diâmetro dos furos escolhido de modo a que os petiscos só saiam quando a bola for bem rolada.
  • Não usar materiais frágeis, plástico fino que se estilhace, nem metal com risco de ferrugem.

Quem não se sentir seguro pode recorrer a brinquedos alimentares já prontos, vendidos em lojas de animais. Muitos produtos para coelhos, papagaios ou cães funcionam de forma surpreendentemente bem no recinto das galinhas.

Que petiscos devem ir para a bola - e quais devem ficar de fora

A bola não substitui a ração normal; é apenas um complemento. O que colocar lá dentro deve ser apelativo, saudável e adequado ao inverno, sem desequilibrar a dieta total.

“O ideal são snacks ricos em energia, que forneçam calor sem engordar as galinhas - e que sejam suficientemente motivadores para as levar a empurrar a bola vezes sem conta.”

Exemplos de recheios adequados

  • Larvas da farinha secas - muito ricas em proteína e muito apreciadas.
  • Milho partido - fornece energia e ajuda a manter a temperatura corporal.
  • Pequenos cubos de abóbora ou de abóbora-manteiga - fáceis de armazenar e ricos em vitaminas.
  • Sementes de girassol - fornecem gordura e ajudam nas baixas temperaturas.

Os pedaços devem ser sempre ligeiramente mais pequenos do que os furos da bola. Se saírem com demasiada facilidade, as galinhas desistem depressa, porque o estímulo desaparece. Se tiverem de trabalhar um pouco, o interesse mantém-se durante muito mais tempo.

Também faz sentido variar regularmente o recheio: ora mais proteína, ora mais energia, ora pequenos pedaços de legumes. Assim, o efeito surpresa mantém-se e o jogo não perde graça tão depressa.

Movimento como aquecedor natural de inverno para as galinhas

O maior efeito deste jogo não se vê apenas no humor, mas também na temperatura corporal. Quando os animais correm atrás da esfera, avançam aos solavancos, travam e empurram, a circulação e a musculatura entram em ação. O corpo produz calor, sem custos adicionais de eletricidade nem lâmpadas de aquecimento caras.

“Uma galinha ativa resiste muito melhor às temperaturas negativas do que uma galinha que passa horas imóvel empoleirada.”

Com o movimento extra:

  • melhora a circulação sanguínea na crista, nas barbelas e nas patas,
  • reduz-se o risco de congelamento em frio húmido,
  • o intestino trabalha melhor e as perturbações digestivas tornam-se menos frequentes,
  • acumula-se menos gordura na zona abdominal.

As aves acima do peso beneficiam especialmente destas «caçadas ao alimento» diárias. Em vez de simplesmente cortar na quantidade de grãos, os criadores podem combinar a ração normal com parte da comida vinda da bola - assim, a ocupação mantém-se alta sem sobrecarregar o estômago.

Como integrar o jogo como um ritual fixo de inverno

O efeito aumenta com a regularidade. Uma experiência isolada diverte, mas não altera hábitos. O melhor é definir uma hora fixa na rotina diária.

Na prática, costuma resultar bem o início da tarde, por volta das 14 horas. Nessa altura, os ovos já costumam estar no ninho, e o longo intervalo até ao anoitecer pode ser preenchido de forma ideal.

Um exemplo de rotina pode ser este:

  • Ao meio-dia, alimentação normal como habitualmente.
  • Por volta das 14 horas, encher a bola com uma porção menor de petiscos.
  • Fazer a bola rolar no recinto e observar todas as galinhas - sobretudo da primeira vez.
  • Ao fim de 30–45 minutos, verificar se a bola está vazia.
  • Ao fim do dia, ou assim que já não tiver restos de comida, retirar novamente a bola do recinto.

Retirá-la é importante para não atrair ratos ou ratinhos durante a noite. Uma vez por semana, vale a pena lavá-la bem com água quente, para remover germes e restos de alimento.

Outras atividades inteligentes de inverno para um recinto das galinhas mais vivo

Quem vê como a bola funciona bem costuma ganhar vontade de experimentar outras ideias. As galinhas são mais curiosas do que muitos pensam. Até pequenas mudanças no recinto já as estimulam:

  • Montes de palha ou de folhas secas com alguns grãos no meio - os animais remexem-nos durante horas.
  • Cordas de legumes suspensas com folhas de couve ou pedaços de maçã - como uma comida a balançar.
  • Poleiros de alturas diferentes - ajudam no equilíbrio e na musculatura.
  • Um banho de areia ou de cinza num canto protegido das intempéries - útil contra parasitas e bom para a plumagem.

Combinado com a bola de alimentação, cria-se assim uma verdadeira «área de brincadeira» de inverno. O galinheiro fica mais vivo, as disputas de hierarquia muitas vezes diminuem visivelmente e muitos criadores relatam que a produção de ovos se mantém mais estável, porque os animais atravessam melhor a estação fria.

O que os criadores devem observar na utilização

Apesar de todas as vantagens, convém manter um olhar atento. Algumas galinhas muito dominantes tentam apropriar-se da bola para si. Nesses casos, os criadores podem simplesmente colocar uma segunda bola ou distribuir um pouco de comida extra pelas aves com posição mais baixa na hierarquia.

Também é sensato incluir a comida da bola na ração diária total. Snacks demasiado energéticos não são boa ideia, mesmo com muito movimento. Quem pesa os animais regularmente, ou pelo menos apalpa o estado corporal deles, percebe cedo se estão a ficar demasiado gordos.

Para crianças que ajudam no jardim, este jogo da bola é, aliás, excelente. Podem enchê-la, fazê-la rolar, observar e aprender, quase sem dar por isso, como é que as galinhas pensam e reagem. Assim, o inverno torna-se mais interessante não só para os animais, mas também para as pessoas.

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