Um brinquedo familiar, um cão feliz - mas é precisamente a clássica bola amarela que pode causar danos permanentes na boca do animal.
Quem passeia com o cão costuma trazê-lo quase por hábito no bolso do casaco: a velha bola de ténis do último jogo. Lança-se bem, salta de forma imprevisível e os cães correm atrás dela com enorme entusiasmo. Muitos tutores não imaginam que é exatamente este brinquedo que vai desgastando lentamente os dentes do seu companheiro de quatro patas - com efeitos que já não podem ser revertidos.
Porque a bola de ténis é tão traiçoeira para os dentes do cão
Para muitos donos, a bola de ténis parece a solução ideal: é barata, fácil de encontrar, resistente e muito apelativa para o cão. Rola, salta e é fácil de transportar. Não admira que se vejam tantas em parques, jardins e zonas de passeio canino.
O problema é que as bolas de ténis foram feitas para desporto, não para dentes de cão. Foram concebidas para aguentar pancadas a grande velocidade e para resistir a courts de saibro e de piso duro. Ninguém pensou, no desenvolvimento do produto, que um animal a pudesse mastigar durante minutos com uma musculatura mandibular tão forte.
Há ainda outro aspeto que muitas pessoas nem consideram: o feltro da bola funciona como um íman para a sujidade. Sobretudo em tempo húmido e em caminhos lamacentos, a superfície acumula uma grande quantidade de partículas - e é aí que começa o verdadeiro estrago.
Como o feltro e a sujidade transformam a bola numa espécie de lixa
A capa rugosa de uma bola de ténis é feita de feltro sintético. Sempre que bate no chão, esse feltro capta grãos finos e poeiras. Não se trata apenas de terra, mas também de:
- areia do caminho ou do parque canino
- pequenas pedrinhas e minerais
- pó e desgaste do asfalto ou do betão
- pequenos corpos estranhos, como lascas de madeira
A mistura de saliva com sujidade forma, na superfície da bola, uma camada compacta e áspera. A olho humano, a bola pode parecer apenas ligeiramente suja. Para os dentes do cão, a sensação é muito diferente.
Do ponto de vista dos veterinários, a bola de ténis transforma-se num instrumento de desgaste que atua sobre o esmalte a cada mordidela - como uma lixa fina.
Muitos cães mordem a bola durante bastante tempo, apertam-na entre os molares ou levam-na na boca, firmemente fechada, durante minutos. Cada um desses movimentos faz com que a superfície abrasiva friccione o dente. O efeito não é espetacular - mas atua todos os dias, ao longo de meses e anos.
O que acontece realmente na boca do cão: esmalte a desaparecer, dor a aparecer
O esmalte dentário é a substância mais dura do corpo, mas não se regenera. Quando é desgastado, não volta. É precisamente isso que os veterinários observam em muitos cães que brincam regularmente com bolas de ténis.
As alterações mais típicas observadas são:
- os caninos parecem menos afiados e mais gastos
- as pontas dos dentes ficam como se tivessem sido "lixadas", apresentando um aspeto achatado
- por vezes, o desgaste aproxima-se quase da gengiva
- no centro da superfície achatada surge um ponto escuro
Esse ponto escuro indica que a parte interna do dente, a polpa sensível, já está perigosamente perto da superfície ou até exposta. Nessa zona passam vasos sanguíneos e nervos. Quando é atingida, os dentes tornam-se extremamente sensíveis.
As consequências podem ser graves:
- dor intensa ao mastigar
- reação dolorosa ao frio ou ao calor, por exemplo ao beber
- inflamações no interior do dente
- morte de dentes individuais
- focos inflamatórios crónicos que sobrecarregam todo o organismo
Muitos cães sofrem em silêncio - continuam a brincar com a bola, mesmo quando cada mordida pode doer, porque o instinto de brincar é mais forte do que o sinal de dor.
Sinais de alerta no dia a dia: como perceber que a bola de ténis já deixou marcas
Os cães raramente demonstram dor dentária de forma tão clara como os humanos. Não se queixam nem vão sozinhos ao veterinário. Por isso, os tutores devem observar a dentição com regularidade e de forma consciente.
Sinais de alerta nos dentes e no comportamento do cão
Indícios típicos de problemas causados por bolas de ténis incluem, por exemplo:
- caninos achatados e com aspeto baço
- sulcos ou superfícies lisas, com aparência de polidas
- descolorações na zona das pontas dos dentes
- aumento da salivação durante a brincadeira
- o cão deixa cair a comida ou mastiga com evidente cautela
- recusa brinquedos mais duros, mas aceita alimento macio
Se notar estes sinais, não deve esperar: marque uma consulta numa clínica de medicina veterinária. Os profissionais podem avaliar, com instrumentos específicos e radiografias, até onde avançou o dano e se é necessário intervir.
Quais são as bolas realmente adequadas para cães
A boa notícia é que não é preciso acabar com os jogos de busca, apenas trocar o material. A mudança é fácil para a maioria dos cães, desde que os tutores sejam consistentes.
Alternativas adequadas à bola de ténis
Recomendam-se sobretudo:
- bolas de borracha lisas sem camada de feltro
- bolas específicas para cães em borracha natural ou plástico resistente
- bolas de busca flutuantes para uso na água
- brinquedos de arremesso com boa aderência feitos de material macio, mas robusto
Estes produtos têm uma superfície lisa, onde a sujidade quase não se fixa. Deslizam sobre os dentes em vez de os desgastar. Muitos fabricantes identificam os seus brinquedos explicitamente como "amigos dos dentes" ou "adequados para mordedores fortes".
O ponto decisivo não é a forma do brinquedo, mas sim a combinação entre o material e a textura da superfície.
Ao comprar, vale a pena fazer uma verificação rápida: o brinquedo parece macio e liso ou antes um tecido áspero? Se a sujidade se acumular rapidamente na superfície, é melhor não o escolher.
Como os tutores devem usar bolas seguras de forma correta
Mesmo o melhor material não protege se o cão usar o brinquedo durante horas como substituto para mastigar. Algumas regras simples reduzem bastante o risco.
- Dar o brinquedo apenas para brincar em conjunto. Depois de lançar e ir buscar, recolha-o novamente; não o deixe permanentemente no chão.
- Verificar as bolas com regularidade. Fendas, riscos profundos ou pedaços soltos significam: deitar fora.
- Usar vários brinquedos em rotação. Assim, nenhum objeto desgasta sempre os dentes nos mesmos pontos.
- Reservar os produtos de mastigar para esse fim. Para a mastigação em si, use ossos de mastigar específicos ou produtos recomendados pelo veterinário.
Quem quiser jogar pelo seguro pode pedir aconselhamento na clínica de medicina veterinária sobre brinquedos adequados. Muitas clínicas trabalham com fabricantes e conhecem produtos que já provaram funcionar bem no dia a dia.
Porque é que os dentes do cão reagem tão mal a brinquedos inadequados
Os cães usam os dentes de forma muito intensa: para comer, transportar, brincar e explorar. O esmalte protege a parte sensível interior como se fosse um escudo. Quando esse escudo se torna mais fino, os problemas frequentemente só se notam tardiamente, porque o cão tolera muita coisa.
Em especial, raças grandes e médias com mordida forte - como retrievers, pastores alemães ou huskies - exercem forças enormes ao morder. Em combinação com uma superfície rugosa e suja, isso cria um efeito de desgaste muito superior ao desgaste normal.
Há ainda outro fator: alguns cães têm tendência para “amassar” as bolas, segurando-as lateralmente com os molares e mantendo pressão de forma contínua. Esta carga prolongada agrava ainda mais o problema das bolas de ténis, porque o esmalte não tem pausas para recuperar.
O que os tutores podem fazer mais pela saúde dentária do cão
Deixar de usar bolas de ténis é um passo importante, mas não é o único. Quem quiser proteger os dentes do cão a longo prazo pode fazer ainda mais:
- Controlo dentário regular em casa e na clínica
- Produtos de higiene oral, como pasta dentífrica adequada e escovas específicas para cães
- Alimentação equilibrada, para ajudar a reduzir o tártaro e as inflamações
- Os produtos de mastigar certos, que limpam em vez de desgastar
Quando já existem danos, vale especialmente a pena fazer uma revisão dentária pelo menos uma vez por ano. Algumas clínicas até disponibilizam consultas especializadas de estomatologia veterinária, onde os problemas são detetados precocemente.
Quem até agora brincava com bolas de ténis não precisa de se sentir culpado - este brinquedo é, há décadas, um clássico. O importante é levar agora a informação a sério e mudar o material. Uma bola lisa de borracha custa apenas alguns euros, mas pode oferecer ao cão muitos anos com menos dor e uma dentição mais saudável.
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