Muitos jardineiros amadores penduram comedouros, espalham sementes de girassol e limpam a relva com minúcia. Depois, estranham que precisamente a vistosa chapim-real mal se veja. Um arbusto discreto e autóctone, que muita gente remove por desconhecimento, pode mudar isso em pouco tempo.
Porque é que, apesar de um comedouro cheio, quase não aparecem chapins-reais
A cena é conhecida de quase toda a gente: no inverno, chapins e pardais juntam-se aos alimentadores. Mal começa a primavera, reina a quietude. Rapidamente ouvem-se então frases como: “Devo estar a alimentar de menos” ou “Eles não gostam da minha comida”.
Na realidade, o que decide não é a quantidade de grãos, mas sim a riqueza em insetos no jardim. Os chapins-reais (Parus major) não precisam de sementes de girassol na primavera, mas sim de lagartas, mosquitos, besouros e aranhas - e em grande número.
Para uma única ninhada, um casal de chapins-reais tem de trazer até 500 insetos por dia - os grãos ajudam pouco nesse caso.
Uma relva aparada ao detalhe, arbustos ornamentais exóticos e túias densas podem parecer arrumados, mas oferecem quase nada aos insetos. Sem larvas de insetos, falta simplesmente a creche dos chapins-reais - e eles acabam por procurar jardins mais próximos da natureza.
O elemento subestimado: sabugueiro-preto no jardim
O sabugueiro-preto autóctone (Sambucus nigra) é visto por muitos como uma “sebe selvagem” que convém arrancar. É um erro. Associações de proteção da natureza e das aves recomendam-no expressamente, porque oferece logo três coisas: alimento, abrigo e zona de caça.
Crescimento, localização e efeito do sabugueiro-preto
O sabugueiro é um arbusto autóctone que ocorre praticamente em toda a Europa Central. Em local adequado, em três a quatro anos atinge sem dificuldade três a cinco metros de altura e forma uma copa solta e ramificada. É precisamente essa estrutura aberta que é valiosa para as aves.
- Altura: cerca de 3–5 metros após poucos anos
- Localização: sol a meia-sombra
- Solo: solo normal de jardim, de preferência também solo mais pesado ou ligeiramente calcário
- Utilidade: habitat, fonte de alimento e refúgio num só
Entre os ramos encontram-se zonas densas para ninhos, mas também áreas abertas para a caça de insetos. Madeira morta, fendas na casca e rebentos velhos servem, além disso, de abrigo a muitas espécies de insetos. É precisamente aí que os chapins-reais vão buscar mais tarde a sua bomba de proteína para a prole.
Porque é que o sabugueiro-preto é um verdadeiro “buffet tudo incluído” para os chapins-reais
Na primavera, é frequente instalar-se no sabugueiro o pulgão do sabugueiro-preto. À primeira vista, muitos jardineiros encaram isso como uma praga que deveria ser combatida. Para os chapins-reais, porém, é uma verdadeira festa.
A suposta “praga” de pulgões é, na verdade, uma fonte de alimento adequada à espécie para chapins, joaninhas & companhia.
Durante a época de reprodução, os juvenis precisam de comida macia e rica em proteínas. É aqui que entram os pulgões e outros habitantes do sabugueiro. As aves adultas percorrem o arbusto de forma sistemática e levam presas para o ninho de minuto a minuto.
Mais tarde, ao longo do ano, as flores e os bagos maduros do sabugueiro complementam a oferta:
- Primavera: pulgões e outras larvas de insetos como fonte de proteína
- Verão: insetos, aranhas e a comunidade de insetos visitantes que se alimentam de pólen
- Fim do verão/outono: bagos ricos em óleo como reserva de energia antes do inverno
Os bagos escuros do sabugueiro, em particular, fornecem muita energia. Não são apenas os chapins-reais: também melros, tordos e outras aves de jardim os usam para acumular reservas de gordura. Quem tiver um sabugueiro em frutificação no jardim acaba muitas vezes por assistir a um verdadeiro concerto de aves no fim do verão.
Retrato do chapim-real: necessidades e limitações do jardim urbano
O chapim-real mede entre 13,5 e 15 centímetros de comprimento corporal e é uma das maiores espécies de chapim. Tem cabeça preta com faces brancas, ventre amarelo e uma distintiva “gravata” preta no peito. É considerado adaptável e ocupa quase todos os habitats - da floresta ao quintal.
Ainda assim, em muitas cidades sofre com a falta de alimento para a criação dos juvenis. Os problemas típicos são:
- relvados monótonos, sem plantas em flor
- sebes de tuia ou de loureiro-cerdeiro com pouca vida de insetos
- plantas ornamentais tratadas com pesticidas
- canteiros limpos, sem abrigos de inverno para insetos
A época de reprodução mostra como isto depressa se torna um gargalo: as fêmeas do chapim-real costumam pôr entre cinco e doze ovos. Pouco mais de duas semanas depois, as crias nascem e são alimentadas intensivamente durante até três semanas. Se, nesta fase, faltarem lagartas e outros insetos, parte das crias morre de fome no ninho.
Um único sabugueiro grande pode fazer a diferença, num jardim frontal “esterilizado”, entre o silêncio e uma família de chapins cheia de vida.
Plantar sabugueiro-preto: como fazer, passo a passo
A melhor altura para plantar é entre novembro e março, desde que o solo não esteja gelado. Quem agir agora estará a lançar as bases para a próxima primavera das aves.
- Escolher o local: soalheiro a meia-sombra, com espaço suficiente em altura e lateralmente.
- Abrir a cova: cerca de três vezes mais larga e tão profunda como o torrão.
- Soltar o solo: descompactar ligeiramente a camada inferior para que as raízes se estabeleçam bem.
- Incorporar composto: misturar duas a três pás de composto bem decomposto na terra retirada.
- Colocar a planta: plantar o sabugueiro de modo que a parte superior do torrão fique ao nível da terra envolvente.
- Preencher e calcar: encher com terra e compactar de leve, para que não fiquem vazios.
- Regar abundantemente: aplicar cerca de dez litros de água, mesmo que esteja a chover - isto ajuda a expulsar o ar da zona das raízes.
O sabugueiro estabelece-se de forma robusta e perdoa muitos erros. Apenas se deve evitar encharcamento e secura extrema logo após a plantação. Nos primeiros dois anos, em períodos de seca prolongada, compensa fazer regas generosas de vez em quando.
Caso típico: tirar a sebe de tuia, pôr sabugueiro-preto
Sobretudo em empreendimentos novos, é comum haver metros e metros de sebes de tuia ou de loureiro-cerdeiro. Garantem privacidade, mas quase não fornecem alimento aos insetos autóctones - e, por consequência, também não aos chapins.
Uma abordagem pragmática consiste em não remover logo a sebe inteira, mas apenas substituir algumas partes. Quem retirar dois a três metros de tuia ou loureiro-cerdeiro e aí plantar um ou dois sabugueiros vê muitas vezes os primeiros efeitos logo no ano seguinte.
Bastam alguns metros de arbustos autóctones para pôr novamente em marcha a cadeia alimentar no jardim.
Em paralelo, outras medidas também ajudam:
- colocar uma caixa-ninho para chapins-reais perto do tronco do sabugueiro
- deixar tufos de musgo na relva, em vez de os suprimir com cal e adubo
- evitar inseticidas no jardim
- deixar ramos e caules mortos no local, pelo menos até meados de março
Assim criam-se quartéis de inverno para insetos, que na primavera servem de presa às crias. O comedouro com sementes continua a ser útil, sobretudo no inverno - mas não substitui um ecossistema vivo.
O que os proprietários de jardins ainda devem saber sobre o sabugueiro-preto
O sabugueiro-preto não é útil apenas para as aves, mas também para as pessoas. As flores e os bagos podem ser transformados em xarope, geleia ou sumo. Os bagos maduros devem ser sempre aquecidos, porque em cru podem provocar problemas no estômago. Para a avifauna, quando maduros naturalmente, não representam qualquer problema.
Quem tiver pouco espaço também pode cultivar sabugueiro como árvore de tronco alto ou combiná-lo numa sebe mista com outros arbustos autóctones, como rosa-canina, abrunheiro ou corniso. Quanto mais variada for a plantação, mais estável se torna o equilíbrio ecológico.
Outra vantagem: o sabugueiro mostra resultados rapidamente. Ao fim de poucos anos, o jardim parece menos estéril, há mais insetos a zumbir no ar e as aves aproveitam as novas estruturas. As crianças, em particular, observam isto com espanto - desde o primeiro chilrear do chapim de manhã até ao grupo misto de aves, no fim do verão, a banquetearem-se com os bagos.
Por isso, quem sentir que o jardim está “limpo em excesso” e, apesar de todo o esforço, continua sem aves, não deve começar logo por procurar comida especial cara. Uma pá, um sabugueiro jovem e um pouco de paciência mudam mais do que qualquer estação de alimentação de design.
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