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Chega de perfeccionismo no trabalho: Esforço constante pode prejudicar a sua carreira.

Homem a trabalhar com cadernos, post-its coloridos e portátil num escritório moderno e luminoso.

Em entrevistas de emprego, durante o período experimental, depois de uma promoção: a pressão para brilhar no trabalho como se fôssemos uma máquina incansável é enorme. Quem ajuda em tudo, aceita todas as tarefas e se apresenta como alguém capaz de fazer de tudo costuma ser visto como exemplar. Mas um psicólogo deixa um alerta: precisamente esta postura pode prejudicar o seu desempenho, distorcer o seu papel na empresa e, no fim, até travar a sua carreira.

A armadilha da perfeição no dia a dia do escritório

Porque é tão sedutor “fazer sempre tudo direitinho”

Em muitas empresas existe um sistema de recompensa não dito: quem produz muito recebe reconhecimento. Cada tarefa concluída, cada pedido aceite à última hora, dá um pequeno impulso - como um breve “tu és importante”. É exatamente isso que torna a armadilha da perfeição tão perigosa.

As pessoas que se esforçam mais do que todos, muitas vezes querem:

  • ser vistas como fiáveis e indispensáveis,
  • evitar erros ao máximo,
  • impressionar chefias,
  • não desiludir colegas,
  • sustentar a autoestima através do desempenho.

Isto faz com que rapidamente passem a aceitar qualquer pedido, encarem horas extra como algo normal e, em caso de dúvida, prefiram “dar só aqui uma ajuda” em vez de delegar ou simplesmente dizer não.

Quem sente necessidade constante de provar o quanto está disponível para trabalhar deixa, muitas vezes, de trabalhar por resultados e passa a trabalhar por validação.

Ocupado em vez de eficaz: a grande ilusão

O dia está cheio, a agenda rebenta pelas costuras, a cabeça parece a ferver - e, ainda assim, ao fim da tarde sobra a sensação: “Não fiz nada de realmente importante.” Isto não acontece por acaso.

A atenção humana não pode ser dividida infinitamente. Aquilo a que chamamos multitarefa é, na verdade, o cérebro a saltar sem parar entre atividades. Cada interrupção quebra a concentração e exige energia extra para voltar ao foco.

Situações típicas que reduzem fortemente a capacidade de rendimento:

  • responder a e-mails ao mesmo tempo que se participa numa videoconferência,
  • arrancar com dois projetos complexos em simultâneo,
  • escrever relatórios enquanto se discute algo no chat,
  • estar numa reunião e verificar constantemente o calendário.

Podem parecer sinais de grande empenho, mas na prática são uma receita para erros, stress e trabalho superficial.

O lado negativo de ser “indispensável”

Quem sabe fazer muita coisa recebe, muitas vezes, as tarefas ingratas

Em quase todas as equipas existe aquela pessoa a quem todos recorrem quando algo corre mal: a impressora avariou, o planeamento está desorganizado, há gralhas no relatório, é preciso integrar a nova colega, fazer uma ata extra. Normalmente, são sempre as mesmas pessoas - e raramente as que recebem reconhecimento ou promoções por isso.

O problema é simples: quem demonstra constantemente disponibilidade e versatilidade atrai automaticamente tarefas de que os outros se querem livrar. E essas tarefas são, muitas vezes:

  • demoradas,
  • aborrecidas ou repetitivas,
  • pouco visíveis para a chefia,
  • afastadas da função principal.

Quem se sente responsável por tudo acaba facilmente no papel de faz-tudo - e perde definição profissional.

Quando demasiados talentos diluem o seu verdadeiro valor

As empresas raramente se lembram da pessoa que tratou de todos os pormenores. Lembram-se, sim, de quem resolveu brilhantemente um problema específico ou fez avançar de forma visível um projeto importante.

Quem se destaca em reuniões como bombeiro interno, herói técnico ou ajuda de última hora transmite muitas vezes, sem querer: “Podem contar comigo para tudo.” Isso pode fazer com que os outros passem a vê-lo mais pela função de apoio do que pela sua verdadeira especialização. No pior cenário, sobra menos tempo e energia para as tarefas que realmente importam para a sua evolução.

Incompetência estratégica: um tabu com grande impacto

Porque deve “esconder” certas competências de forma consciente

O psicólogo descreve um conceito que, à primeira vista, pode soar provocador: incompetência estratégica. Não se trata de preguiça, mas de uma forma deliberada de proteger os próprios recursos.

A ideia é esta: nem todas as capacidades que possui precisam de estar visíveis no trabalho. Quem mostra todas as competências adicionais acaba quase sempre por ser chamado a usá-las sem parar - e desvia assim o foco do que é essencial.

Exemplos de talentos que frequentemente geram trabalho extra desproporcionado:

  • É a única pessoa que sabe fazer apresentações visualmente impecáveis?
  • Percebe muito bem, por acaso, de impressoras, sistemas de videoconferência ou macros de Excel?
  • Escreve com grande rapidez e correção e, por isso, é sempre escolhido para fazer atas?

Ninguém lhe pede que finja não saber. Mas também não precisa de se oferecer sempre que aparece uma tarefa secundária. Ficar em silêncio, nesses momentos, pode ser um gesto saudável de auto-limitação.

Incompetência estratégica significa: direciono as minhas capacidades de forma consciente para aquilo que é decisivo para a minha função e para os meus objetivos.

Menos dispersão, mais energia bem aplicada

Quem quer sair do estado de disponibilidade permanente precisa de fazer uma avaliação clara da situação. Pergunte a si mesmo, com frieza:

  • Que tarefas contribuem realmente para o meu desenvolvimento profissional?
  • Com base em que critérios o meu sucesso é oficialmente avaliado?
  • Que atividades me roubam muito tempo sem serem visivelmente valorizadas?

Sinais de alerta de que a sua energia está a ser desperdiçada incluem, por exemplo, começar dois grandes projetos ao mesmo tempo, ouvir podcasts enquanto analisa documentos complexos ou estar em reuniões a meio gás enquanto faz listas de tarefas. Tudo isso parece eficiente, mas rouba profundidade mental.

Recuperar a carreira: impor limites sem culpa

Mitos sobre desempenho que precisam de desaparecer

Há uma ideia errada bastante comum: quanto mais tarefas alguém consegue agarrar ao mesmo tempo, mais inteligente e valioso é. Os estudos mostram o contrário. Saltar constantemente entre ecrãs, chats, e-mails e reuniões enfraquece a concentração e torna-nos mais lentos.

Além disso, quem está sempre acessível entra facilmente num estado de stress contínuo. O corpo produz mais hormonas de stress, o sono e a recuperação pioram, e aumentam a irritabilidade e o cansaço. A sensação de alto rendimento transforma-se, a médio prazo, em exaustão - e, em casos extremos, em burnout.

Ser profissional não é estar sempre disponível; é saber proteger-se de forma consistente nas fases importantes.

Passos concretos para ter mais foco e menos desgaste

Aprender a definir limites é algo que se treina. O essencial é introduzir pequenas mudanças consistentes no dia a dia, por exemplo:

  • bloquear períodos de foco na agenda - sem e-mails, sem chat, sem telemóvel,
  • não responder automaticamente “claro, eu trato disso” a novas tarefas, mas antes avaliar: “Isto encaixa nas minhas prioridades?”
  • usar fórmulas como “com gosto, mas só a partir da próxima semana”, em vez de entrar logo em ação,
  • deixar claro nas reuniões quando a sua tarefa principal tem prioridade,
  • silenciar notificações perturbadoras, pelo menos durante algumas horas.

Quem se atreve a mostrar-se como um profissional focado, em vez de um ajudante permanente, transmite uma mensagem forte: o seu tempo e a sua concentração têm valor.

Como reorganizar o seu trabalho e trabalhar de forma mais saudável

Clarificar e comunicar prioridades

Um passo essencial é definir com clareza, para si próprio, qual é o seu papel. Escreva quais são as três a cinco tarefas que devem estar realmente no centro da sua função. Leve esses pontos para uma conversa com a chefia e confirme se as expectativas estão alinhadas.

Quando existe este entendimento comum, torna-se mais fácil recusar ou adiar tarefas adicionais sem parecer pouco colaborante. Nessa altura, pode remeter para as prioridades que foram definidas em conjunto.

Avaliar de forma realista os custos psicológicos do esforço constante

Muitas pessoas subestimam o impacto que a sobrecarga permanente tem na saúde mental. Alguns sinais de alerta são:

  • pensamentos acelerados ao fim do dia,
  • dificuldade em adormecer porque a cabeça continua no trabalho,
  • sensação de nunca conseguir concluir tudo,
  • cinismo ou distanciamento emocional em relação ao emprego,
  • tensão muscular frequente, dores de cabeça ou problemas de estômago.

Quem age cedo protege a sua capacidade de trabalho a longo prazo. Isso inclui também aprender a aceitar que nem todos os e-mails precisam de resposta em dez minutos e nem todos os pedidos exigem reação imediata. A concentração é um recurso limitado - e quem a desperdiça acaba sempre por pagar o preço.

Quem encontra coragem para deixar de querer ser um super-herói e passa a concentrar-se no que realmente importa não trabalha com menos dedicação. Trabalha com mais clareza, mais saúde - e, no fim, quase sempre com muito mais sucesso.

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