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Armadilha perigosa no jardim: este objeto comum atrai víboras venenosas.

Mãos com luvas a retirar uma cobra pequena enrolada sobre plástico num jardim com plantas e um ancinho.

Muitos jardineiros amadores ficam surpreendidos ao perceber que o seu jardim, tratado com tanto cuidado, se torna de repente num ponto de encontro para víboras. Os animais não aparecem porque o espaço esteja “selvagem”, mas sim por causa de um detalhe simples no desenho do jardim, que quase toda a gente utiliza junto à varanda, aos canteiros ou ao barracão de ferramentas - sem pensar em serpentes.

Porque é que as víboras entram sequer nos nossos jardins

As víboras são nativas de grande parte da Europa e fazem parte da fauna natural. Em França, destacam-se sobretudo a víbora-aspis e a víbora-cornuda; na Alemanha, predominam a víbora-cornuda e, em certas zonas, a víbora-aspis. O seu veneno pode ser perigoso para as pessoas, mas estes animais não procuram confronto.

As víboras evitam as pessoas e, regra geral, só mordem quando se sentem encurraladas ou surpreendidas.

Os animais saem da letargia de inverno por volta de março e mantêm-se activos até ao outono. Para caçarem e digerirem a presa, precisam de temperaturas corporais entre 25 e 30 graus. É precisamente por isso que o desenho e os materiais usados no jardim têm tanta importância. Tudo o que guarda calor e, ao mesmo tempo, oferece abrigo funciona, para as serpentes, como um convite.

O “radiador” discreto: película plástica preta no chão

O objecto discreto que volta e meia surge associado a avistamentos de víboras é uma cobertura de plástico preta colocada no solo - por exemplo, como película antiervas ou como lona simplesmente pousada na horta ou ao lado da varanda.

Do ponto de vista da serpente, estas películas funcionam como uma almofada térmica de alta tecnologia:

  • A cor escura absorve a radiação solar com especial eficácia.
  • O plástico retém o calor e liberta-o lentamente para o solo.
  • Entre a terra e a película forma-se uma fenda seca e protegida.
  • Aí instala-se muitas vezes exactamente a temperatura de que as víboras precisam para regular o corpo.

Se a lona estiver apenas pousada ou se as extremidades não tiverem sido enterradas, as serpentes conseguem rastejar facilmente por baixo. Para elas, trata-se de um local ideal: quente, protegido do vento, sem perturbações e perto da zona de alimentação, porque por baixo destas coberturas costumam aparecer ratos, insectos e outros pequenos animais.

Situações típicas em que este “hotel secreto para serpentes” surge:

  • A película de inverno da piscina ou da caixa de areia é dobrada no chão na primavera e “fica lá provisoriamente”.
  • A película preta antiervas permanece há anos, parcialmente solta, na horta.
  • A lona usada em obras ou trabalhos de jardim é amontoada num canto atrás do barracão.

Quem deixa uma lona preta no chão monta, mais depressa do que imagina, um esconderijo de cinco estrelas para serpentes.

Quando e onde o jardim se torna especialmente arriscado

As víboras seguem o calor, não as pessoas. Aproveitam micro-habitats de forma muito precisa - pequenos espaços com temperaturas ou níveis de humidade diferentes dos da envolvente directa.

Esconderijos típicos de serpentes junto à casa

Além das películas pretas, há vários outros locais particularmente adequados:

  • Pilha de lenha directamente assente no chão - escura, seca e cheia de fendas.
  • Paletes pousadas no solo - criam por baixo um espaço intermédio mais quente.
  • Baús ou caixas de jardim encostados à parede de casa - protegidos do vento, quase sem perturbação.
  • Montes de pedras, telhas ou entulho de obra - muitas fissuras e zonas térmicas variáveis.
  • Mangueiras ou cabos enrolados em locais soalheiros - formam um corredor morno e resguardado.

Os animais estão particularmente activos:

  • em dias de sol, a partir do fim da manhã, quando o solo começa a aquecer;
  • durante a tarde, quando a temperatura se mantém estável;
  • em dias muito quentes, mais ao final da tarde, quando arrefece um pouco.

Depois de trovoadas ou de chuvas fortes, procuram frequentemente cantos secos e quentes - por exemplo, sob lonas, em pilhas de lenha ou por baixo de pisos elevados de terraços.

Como utilizar películas e lonas em segurança

Ninguém precisa de prescindir totalmente de películas por receio de serpentes. O essencial está na forma como são usadas. Os especialistas recomendam uma espécie de “verificação anti-víboras” na primavera, antes de a época de jardinagem começar a sério.

Lista de verificação para usar películas sem risco de serpentes

  • Remover películas de plástico desnecessárias
    Inspeccione o terreno de forma sistemática e retire películas e lonas velhas, danificadas ou já sem utilidade - sobretudo as que estão directamente no chão.

  • Fixar correctamente as películas em uso
    Se precisar de uma película para controlo de ervas ou para criar um canteiro, as margens devem ficar enterradas, pelo menos, cerca de dez centímetros. A película tem de ficar bem esticada, sem pregas nem fendas.

  • Elevar a madeira e os materiais
    Sempre que possível, não deixe lenha, tábuas ou placas pousadas directamente no solo. Basta uma distância de 20 centímetros, apoiada em pedras ou calços, para alterar o microclima e tornar o local menos apelativo para as serpentes.

  • Manter uma zona estreita e limpa à volta da casa
    Uma faixa de um a dois metros, com relva baixa ou gravilha junto à fachada, reduz os esconderijos e facilita a visibilidade.

  • Preferir coberturas naturais
    Em vez de mantos sintéticos antiervas, são mais adequados a casca de pinheiro, ramos triturados ou palha. Retêm menos calor e não criam cavidades tão marcadas.

Reduzir plástico, fechar as extremidades e arrumar esconderijos diminui de forma clara a probabilidade de encontros desagradáveis.

Como reagir se, de repente, tiver uma víbora à frente

Apesar de toda a prevenção, pode acontecer encontrar uma víbora ao deslocar uma lona ou ao arrumar uma pilha de lenha. Nessa altura, o pânico não ajuda ninguém.

Comportamento correcto perante um encontro com uma serpente

  • Fique parado e não faça movimentos bruscos.
  • Dê um passo atrás, lentamente, e deixe espaço para a serpente se afastar.
  • Não tente capturá-la nem afugentá-la.
  • Se estiver num local sensível (varanda, zona de brincadeiras), contacte, consoante a região, a câmara municipal, uma associação de conservação da natureza ou os bombeiros.

Em muitos locais, as víboras estão protegidas. Matá-las é, em regra, proibido e também pouco sensato do ponto de vista biológico: se o habitat for adequado, mais tarde ou mais cedo regressarão outros animais. Muito mais eficaz é organizar o jardim de modo a que lhes seja menos atractivo.

O que fazer em caso de mordedura?

As mordeduras são raras e as mortes na Europa são extremamente raras. Ainda assim, trata-se de uma urgência médica em que o tempo conta.

  • Ligar para o 112 e descrever os sintomas.
  • Retirar objectos como anéis, relógios ou pulseiras apertadas junto da zona mordida.
  • Imobilizar, tanto quanto possível, o membro afectado; não andar nem correr.
  • Não aplicar um garrote sem indicação médica.
  • Não cortar a ferida, não sugar o veneno e não colocar fogo nem gelo.

Os tratamentos modernos e os antivenenos melhoraram de forma muito significativa o prognóstico nas últimas décadas. O decisivo é chegar rapidamente a cuidados médicos e não recorrer a “remédios caseiros” de risco.

Porque é que as serpentes continuam, apesar de tudo, a ter lugar na natureza

Mesmo que a ideia de víboras no próprio jardim incomode muita gente, estes animais desempenham uma função importante no ecossistema. Mantêm sob controlo as populações de ratos e ratazanas e, assim, ajudam indirectamente a travar doenças que os roedores podem transmitir.

Um jardim rico em estrutura, próximo da natureza, com madeira morta, muros de pedra e sebes, pode perfeitamente ser amigo dos répteis sem se transformar automaticamente num ponto crítico de serpentes. O essencial é afastar essas zonas um pouco da casa e evitar as típicas “armadilhas de calor” de plástico perto das áreas de habitação.

Conselhos práticos para jardins familiares

  • Organizar as zonas de brincar das crianças de forma aberta, sem pilhas de lenha ou de pedra ao lado.
  • Cortar o relvado com regularidade, pelo menos nas áreas em que se anda muito descalço.
  • Não deixar sapatos permanentemente cá fora; é melhor trazê-los para dentro ou pendurá-los.
  • Manter os animais domésticos sob vigilância: cães e gatos curiosos podem irritar mais facilmente uma víbora.

Quem conhece os esconderijos típicos e observa com atenção na arrumação da primavera reduz de forma visível o risco. O papel mais importante cabe, na verdade, a um objecto discreto: a película plástica preta no chão. Bem fixada ou totalmente substituída, retira às víboras o refúgio mais atractivo mesmo ao lado da varanda e dos canteiros.

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